segunda-feira, 11 de maio de 2015

Falácias sobre a logística brasileira de cargas e de passageiros

Logistica

Visando desmontar a falácia do 'apagão logístico', mostrarei a forte curva ascendente da logística brasileira no período entre 2003 e 2011.É preciso explicitar que há entre essas falácias as que apresentam 100% de inconsistência e outras com alguma consistência. Isto porque o mais importante, para quem as elabora e divulga, não é a consistência, mas o quanto ela consegue induzir uma percepção ilógica e destrutiva na opinião pública.

José Augusto Valente
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A partir de hoje, pretendo publicar uma série de artigos sobre o tema falácias da logística brasileira. A finalidade desses artigos é mostrar que, na última década, foram disseminadas diversas afirmações e juízos sobre a situação do transporte de cargas e passageiros no Brasil que, por não terem a fundamentação necessária, podem ser consideradas falácias e devem ser desprezadas.
Existem muitas falácias relativas à logística de cargas e passageiros, construídas a partir de 2003, com clara conotação política (oposição ao governo Lula e, agora, Dilma). Selecionamos algumas que nos pareceram as mais importantes, pela amplitude de seus impactos negativos na opinião pública.
É preciso explicitar que há entre essas falácias as que apresentam 100% de inconsistência e outras com alguma consistência. Isto porque o mais importante, para quem as elabora e divulga, não é a consistência, mas o quanto ela consegue induzir uma percepção ilógica e destrutiva na opinião pública.
Gostaria de ressaltar que há vários responsáveis pela consolidação destas falácias. Começa pela oposição aos governos Lula e Dilma, passa pela imprensa, continua por inúmeras entidades da sociedade e termina no próprio governo federal, que muitas vezes poderia destruí-las com um “peteleco”, de tão frágeis, mas não o faz. Veremos porque a seguir.

Falácia n° 1 – “Se continuar ruim do jeito que está, teremos um apagão logístico”
O bordão do caos e apagão logístico começa em 2003, tão logo o Presidente Lula assumiu o mandato. A linha desse tipo de discurso, predominante nos veículos de comunicação naquele momento era de que as infraestruturas rodoviárias, ferroviárias, aeroviárias e portuárias estavam em situação precária, o que impediria o crescimento da economia brasileira, nos padrões dos demais países emergentes.
Tratava-se de apontar, enfaticamente, onde estariam os principais gargalos logísticos: rodovias esburacadas; ferrovias com traçados do século XIX – bitola estreita, curvas de raios pequenos e rampas elevadas - e com muitos obstáculos nas travessias urbanas; sistema aeroportuário com pouca capacidade para cargas e passageiros e sistema de controle aéreo obsoleto; e, portos com baixa eficiência, provocando filas de caminhões, elevados tempos de carga e descarga, bem como onerosos tempos de espera para as embarcações, calado insuficiente e limitações de retro-área para contêineres e de berços de atracação. Esse diagnóstico, no entanto, não levava em consideração que essas condições deveriam ser atribuídas às gestões anteriores, uma vez que o tempo necessário para superá-las era obviamente maior que o tempo de mandato decorrido.
De fato, em 2003, o governo Lula recebeu um país com a sua infraestrutura logística insuficiente para um crescimento vigoroso que se anunciava necessário se o objetivo era aumentar a renda dos trabalhadores e promover uma forte inclusão social com redução das desigualdades de renda e regionais.
Apesar de receber a infraestrutura logística “destroçada”, e de isso constar detalhadamente nos relatórios da equipe de transição, o presidente Lula preferiu não apresentar essa herança ao país, mas, sim, olhar em frente e construir um futuro de acordo com o voto que tinha recebido nas eleições em 2002.
Essa opção teve um preço muito elevado. O massacre midiático nos temas da logística passava a ideia-força de que a culpa era do governo Lula e não dos governos anteriores.
Visando à desmontar esta falácia, mostrarei a forte curva ascendente da logística brasileira, em apenas nove anos , considerando o período 2003-2011, apesar de ter dados mais atuais. As fortes mudanças ocorridas no país, nesse curto período, mostram o esforço e a eficácia dos governos Lula e Dilma no que tange à logística brasileira e reduzem a pó a falácia do apagão logístico.
Segundo dados do Banco Central e do IBGE, a partir de 2002, a corrente de comércio exterior quase quintuplicou, passando de cerca de US$ 107,6 bilhões em 2002 para US$ 482,3 bilhões em 2011 (Fonte: BCB).
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A quantidade de contêineres (cargas de maior valor agregado) aumentou 2,6 vezes, passando de 2,0 milhões, em 2002, para 5,2 milhões, em 2011 (Fonte: Antaq).
O PIB, em dólares correntes, passou de US$ 509 bilhões, em 2002, para US$ 2,6 trilhões em 2011.
A economia brasileira ocupava, em 2003, o 15o. lugar no ranking mundial. Em 2011, ocupava o 6o. lugar. De 2012 até 2014, caiu para o 7o. lugar.
As cargas que geraram esse forte crescimento da economia brasileira, especialmente do comércio exterior, chegaram aos portos, em sua quase totalidade, transportadas por caminhões e trens.
O que significa que as exportações e importações fluíram e tiveram custos logísticos adequados para se tornarem competitivos e atraentes, ainda que possam ser menores, no futuro.
Dado esse quadro, a seguinte pergunta precisa ser respondida: como poderia o comércio exterior e a movimentação de contêineres terem crescido tanto se o Brasil tinha tantos gargalos e esteve, todo esse tempo, à beira de um apagão logístico?
Das duas uma: ou não há correlação alguma entre crescimento econômico e infraestrutura de transportes ou o discurso predominante na mídia é falso.
O que tentaremos mostrar nos artigos seguintes é que existe, sim, correlação entre crescimento e infraestrutura de transportes adequada e que o discurso predominante não tem fundamentação em fatos e números dos governos Lula e Dilma.
José Augusto Valente – Especialista em logística e transportes
Fonte - Carta Maior 10/05/2015

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